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24 abril 2009

Anaïs Nin - Uma espiã na casa do amor


"Sempre que se sentisse perdida nos infinitos desertos da insônia, ela iria dedicar-se de novo ao filamento labiríntico de sua vida, desde o princípio, para ver se poderia descobrir em que momento os caminhos se haviam tornado confusos".

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Não gosto de fazer 'críticas' de nada artístico. Acho que cada um tem uma experiência própria e quase nunca consigo passar aos outros a minha, mas aqui vou criticar a crítica. Não se julga um livro pela contra-capa:

"Um romance sobre os limites das descobertas sexuais".

Sabina era casada, mas vivia viajando, sob o falso(?) pretexto de ser atriz, e conhecendo outros homens. Sendo cada homem diferente, o sexo era diferente. As descobertas sexuais meio que terminam por aí. Sim, eu tenho em mente que tudo se passava na década de 50, mas o erotismo não é o ponto alto do livro. O que mais encanta são as descobertas psicológicas, o desenrolar de cada história e as conclusões a que ela chega através de todo o enredo, de cada novo encontro, os paradoxos culpa/liberdade, amor/sexo, medo/segurança, as mil personalidades... parece ser uma simplificação dizer que é um romance sobre limites de descobertas sexuais. Mas, também, dizer muito mais do que isso é entregar o ouro. Então, eu paro por aqui. Recomendo o livro. Muitas passagens se encaixam perfeitamente para espiãs e 'moradoras'.

26 fevereiro 2009

+ dicas

Esta eu encontrei no blog do Ricardo Lombardi, Desculpe a poeira:
você cadastra livros que queira trocar, recebe pedidos, envia os livros e acumula pontos, que vão permitir que você peça livros de outras pessoas. ainda não me cadastrei, mas parece bem interessante.

24 novembro 2008

Para quem gosta de ler

Existe um site que é uma espécie de orkut pra quem gosta de livros. No

www.goodreads.com/

você cria um perfil onde adiciona em "prateleiras" os livros que já leu, os que está lendo e os que quer ler, classifica se gostou ou não e pode fazer comentários e críticas sobre eles, com desconhecidos e com seus amigos.
Quem gostar da idéia, pode me adicionar:
http://www.goodreads.com/user/show/1331284

aah, o site é só em inglês, mas não é complicado de usar.


update:

e pra quem gosta de filmes, eu acabei de descobrir o The Auteurs, um site de relacionamentos que é quase o mesmo esquema do goodreads, onde o tema é cinema! Em inglês também...

12 novembro 2008

e por falar nele...

Saramago tem um blog!

Inaugurado em setembro deste ano, http://caderno.josesaramago.org/ fica dentro de outro blog, o da Fundação José Saramago http://blog.josesaramago.org/ .

Segundo o autor, a página trará "o que for, comentários, reflexões, simples opiniões sobre isto e aquilo, enfim, o que vier a talhe de foice”. Nela, está um trecho de seu novo livro "A viagem do elefante".

28 outubro 2008

uma outra cegueira


Li o livro de José Saramago, Ensaio sobre a cegueira, e vi o filme de Fernando Meirelles, Blindness. Apesar de, como quase sempre, o livro ser insuperável, gostei muito do filme, achei bastante sensível e respeitoso com a história original. Convence e me fez relembrar sentimentos que eu tive com o livro, fascinante. Em momento algum a história de Saramago me fez pensar mal de qualquer cego. Aliás, em momento algum eu pensei em cegos. Eu pensei em mim e nas pessoas, principalmente as que "enxergam".

Estou escrevendo isso porque a NFB (National Federation of the Blind), uma associação americana de cegos, não apenas desaprovou o filme como organizou protestos, afirmando que o filme os retrata como pessoas incapazes, más e pouco higiênicas.

Acredito que nenhum deles tenha, de fato, entrado em contato com a história. Porque é uma estupidez sem tamanho que se conclua tudo isso de uma história surreal, onde quase todos ficam cegos, um por um, de repente... uma epidemia de cegueira branca. Saramago ainda teve o cuidado de diferenciar a cegueira. Porque é óbvio que não se trata de cegos. Não se trata da falta de visão.

E se fosse o caso, qualquer situação em que se jogassem pessoas que acabaram de perder a visão em um ambiente já sujo e velho, abandonado, cujas torneiras não funcionam, aonde a única pessoa que vê corre riscos e não pode ajudar a todos ao mesmo tempo, e aonde TODOS, trabalhadores, ricos, pobres, ladrões (armados), são confinados lutando por comida.... qualquer ambiente desses seria bastante próximo do que "Ensaio" mostra.

Que fossem surdos, mudos, paraplégicos. Não é sobre uma parcela da população que perdeu um de seus sentidos. É sobre um mundo inteiro que perdeu o seu sentido, bem antes de deixar de ver.

E é triste ver pessoas tão revoltadas com uma obra tão intensa e honesta. Sem trocadilhos, o que elas estão vendo é a superfície. Mas, pode ser que tenham até razão, se o livro estiver certo. Se formos todos cegos (com metáfora) a ponto de compreender tão mal a sensibilidade da crítica de um outro ser, então é possível que eles percam oportunidades de emprego e sofram preconceito. Mas, fico feliz em saber que Meirelles vê e quer que outros vejam também.


recomendo o livro primeiro, o filme depois.