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03 novembro 2008

eu vou!

A Mostra O PASSO DO ELEFANTINHO é um evento organizado por estudantes do Instituto de Artes da UERJ para divulgar a produção dos mesmos e criar um espaço de discussão em Artes. Serão 30 trabalhos expostos e apresentados abrangendo diversas mídias como vídeo, pintura, desenho, gravura, escultura, performance, instalação e fotografia. A exposição se dará das 10:00 às 20:00 dos dias 5 e 6 de novembro de 2008.


Teremos também um conjunto de 4 mesas pelos 2 dias, ao qual demos o nome de A Múltipla Arte, em que profissionais de peso no meio artístico estarão abordando questões do universo da arte a partir de suas produções.

Mesa 1 - (05/11/2008 – quarta-feira – 10:00 as 12:00)

Anna Bella Geiger (Área de atuação: artes visuais)
Cristina Ribas (Área de atuação: artes visuais)


Mesa 2 - (05/11/2008 – quarta-feira – 18:00 as 20:00)

Ilva Niño (Área de atuação: artes cênicas)
Nanci de Freitas (Área de atuação: artes cênicas)

Mesa 3 - (06/11/2008 - quinta-feira - 10:00 as 12:00)

Mariana Manhães (Área de atuação: Artes visuais)
Antonio Bokel (Área de atuação: Artes visuais)

Mesa 4 - (06/11/2008 - quinta-feira - 18:00 as 20:00)

Christian Caselli (Área de atuação: Cinema)
Eloisa brantes (Área de atuação: Artes cênicas, performance e dança)

O evento ocorrerá no Centro Cultural da UERJ. A exposição será no salão em frente à Galeria Gustavo Schnoor e as mesas no auditório do ateliê do Instituto de Artes (UERJ/campus Maracanã - Rua São Francisco Xavier, 524).
Abraços

Comissão Organizadora do O PASSO DO ELEFANTINHO
Coordenação Geral : Fabricio GabrielCoordenação de Curadoria: Catiane Soares e Natalia Candido Coordenação de Divulgação: Arthur Batista Cordeiro e Marta Egrejas Coordenação Técnica: Hélvia Cruz de Oliveira e Vanessa JansenCoordenação de Certificação: Bianca Silva e Pedro Luis C. de Souza
eu, (22_pm, caroux_, Ana Nunes...dentre vários outros eus-líricos), vou expor, ABC vai expor, Dom quixote tbm vai!

25 maio 2008

Um trabalho de faculdade...

Senhores (as), faz algum tempo, na aula de Tópicos Especiais em Artes Visuais, cuja professora é a artista plástica e doutora Cristina Salgado, foi-nos requerido um trabalho prático que tratasse sobre a questão da Nostalgia, sob a ótica das nossas leituras em sala, eminentemente psicanalíticas, conduzidas pela profª artista supracitada.

Meu trabalho acabou sendo um texto, o que foi criticado de certa forma, pois um texto não tem o caráter imediato de uma obra de arte, o que eu compreendo e concordo. Eu sou um pouco preguiçoso mesmo!

Mas aqui envio o texto, para apreciação geral e etc...

Abraços,

Alexandre Marzullo



SOBRE NOSTALGIA

Começo o trabalho desculpando-me sinceramente. Sim, pois não irei conseguir realizar uma obra nostálgica ou de caráter semelhante. Não conseguirei e não quererei conseguir. Gosto de minhas lembranças? Sim. Tenho orgulho e carinho por elas? Sim. O que me impede então?

Eu me considero jovem. Tenho 23 anos, completados dia 23 de abril, e estou cursando o 5º período da faculdade de Artes. Entretanto, só passei em uma 1 matéria do 4º (fase conturbada!). Sou o primeiro de dois a vir ao mundo, tenho uma namorada e bons amigos. Minha família é pequena e tenho grandes aspirações para o futuro.

Futuro.

Futuro, presente, passado. Uns colocam o pote d’ouro à frente, outros preferem anos dourados que não voltam mais. Infância, arcádia, sucesso duradouro, dinheiro não traz felicidade mas ajuda a comprar. Tudo na base do fui e do irei; o “sou” é difícil, inconstante, evasivo. Sou implica em ser e ser pode ser lido como estar. Neste sentido, estar adquire caráter temporário, pois se estou é porque ou não estava antes ou não virei a estar depois. Ambos os raciocínios se conectam então à idéia de tempo. Mas, o que é o tempo?

Quando me lembro de determinados fatos, que me aconteceram nos anos mais jovens, não é raro sentir novamente as emoções de então. Penso também nos chamados “traumas” de guerra, as lembranças freqüentes que se freqüentam. De certa maneira, é como se, ao lembrarmos-nos, nós as revivêssemos revendo as mesmas. Me recordo, agora, de uma passagem daquele clássico livro do Arnheim (Arte e Percepção Visual), onde ele diz que ver é interpretar a realidade (algo do tipo). E interpretar é sentir. Onde está o tempo nesta equação? Quando temos acesso ao passado no presente, a partir das memórias, a linearidade temporal se dobra sobre si mesma; a ordem exata dos eventos se torna confusa e imprecisa. Com um pouco mais de introspecção, talvez ela se torne inexistente. É o que nos revela, por exemplo, o mistério da Sagrada Trindade Cristã, em que o Pai, o Filho e o Espírito Santo (um ancestral sobrenatural dos mesmos, ou a essência que perpassa de geração em geração) são a mesma e única coisa. O escritor James Joyce também abordou este tema em sua obra Ulisses, onde o personagem Stephen Dedalus versa sobre o enigma de Hamlet, de Shakespeare, interpretando o fantasma do pai como um espectro do próprio filho, o qual por sua vez não era outro senão seu pai. “Trans-substanciação, consubstanciação, mas não sub-substanciação.” Neste instante, já não tenho mais 23 anos – sou intemporal, atemporal. Sou o resultado e causa da História da Humanidade, do Mundo, da Vida ( tão mortal quanto posso ser), e quando olho para outra pessoa, eu tenho – DEVO – reconhecer nela os mesmos princípios, atributos, características que visualizo em mim. Neste caso, somos todos cíclicos, eternos e mortais.

É na morte, nosso futuro próximo, que encontramos a afirmação mestra da vida, nosso presente imediato. Pois se onde há vida há morte, então onde há morte deverá existir, necessariamente, vida. Todos os povos conheceram esse bio-dogma – os mitos do Eterno Retorno (dilúvios, juízos finais, reencarnação/metempsicose, etc.). Curiosamente ou não, todos eles também tiveram um mitológico e/ou suposto passado idílico (Era de Ouro, Éden, Arcádia, etc.); onde está o Presente, o Filho que é o Pai, gerado pela Mãe-Consorte sob os céus arquidivinos?

Viver é aceitar todos estes valores, que são muito mais temíveis e terríveis do que penso conseguir expressar ou conceber. Viver o presente é a tarefa mais difícil possível ao Homem, pois dizer sim – aceitar – implica em negar o “não”. Nós não podemos escolher sem realizar renúncias. Por isso, finalmente, não posso fazer um trabalho sobre Nostalgia. Não quero me sentir nostálgico, porque quero meu presente comigo aqui agora, meu presente que é meu passado e meu futuro em mim que sou pai, filho, espectro e pó de mim mesmo. Dizer sim, a não-ação que atua, é confiar no Absoluto Transcendente-Imanente, Deus, Cosmos Universo, é se reconhecer como impotente perante a força da vida. Que sou eu senão tudo que vivi? Como posso fazer um trabalho sobre nostalgia, quando estou vivendo tudo e todos aqui e agora? Todo o tempo todo deste mundo templo de Deus eu abarco com meu peito em humilde memória. Se pretendo dizer sim e afirmar a potência da vida, amor fati, então preciso dizer não ao sentimento nostálgico, idealista, conservador. Pelo menos por enquanto, onde ainda me sinto ousado (leia-se jovem!) para ousar. Dizer sim é entender-se a si e a vida, o mundo como um sistema aberto, voltado à transcendência. Uma vez que o entendimento de si mesmo só se torna possível com o reconhecimento e portanto, aceitação de nossas idiossincrasias, aceitar-se, portanto, é entender a vida, uma vez que somos todos o todo.

Dizer sim.

Dizer sim é atravessar os limiares escuros carregado de dívidas existenciais, dizer sim é amar verdadeiramente: amorosamente. É desistir da pompa e da glória, é aceitar a dor sem mistificá-la. Um exercício de nobreza, dizer sim é. Um grande e longo suspiro em êxtase. Viver


27 abril 2008

Fotografia

Aproveitando o momentum que minha amiga e colega 22pm (carol) proporcionou com seu belo trabalho fotográfico, gostaria de enviar para apreciação geral umas poucas palavras sobre Fotografia; são a tentativa de esboçar um pensamento que, se não é embasado, é muito esforçado [=)] , para a aula de Fotografia da faculdade de Artes na Uerj (Professora Tânia Queiroz).

"O procedimento fotográfico é, em si mesmo, de natureza mecânica e característica. Isto equivale a dizer que existe uma determinada linguagem fotográfica, a qual se apoiará em determinados preceitos e normas usuais.
No entanto, a fotografia se utiliza ainda de certos recursos tradicionais que são comuns a outras categorias de arte, tais como o uso de técnicas de composição e tipos de estruturação (por exemplo, forma retrato/paisagem, uso de elementos cromáticos, luz e sombra, etc.). De fato, a fotografia só parece sair desta intersecção quando seus próprios elementos intrínsecos determinam no resultado final da obra. Mas não quero cair no erro ''Greenbergiano''! Seria equivocado falar de uma "essência" fotográfica, uma vez que a obra de arte exige uma conceituação própria, a qual não depende de regras usuais ou especificidades quaisquer mas somente da competência do artista ao defender sua cria, seja essa competência inerente à obra (ou seja, uma obra com mais apelo estético) ou inerente ao seu conceito (no caso de uma obra evidentemente conceitual)."

Aberto a críticas e comentários, assim como futuras correções!
Alexandre Marzullo